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Sentir-se valorizado muda o trabalho nas empresas

Pertencimento, reconhecimento e desenvolvimento ganham peso estratégico em um mercado mais automatizado

Felipe Lemos, CXO da Alternativa F, afirma que pertencimento, reconhecimento e desenvolvimento ganham peso estratégico em um mercado mais automatizado.

À medida que a tecnologia avança e automatiza tarefas antes consideradas centrais na rotina profissional, uma nova inquietação começa a ocupar espaço dentro das empresas. O debate já não gira apenas em torno de produtividade, eficiência ou substituição de funções. Cada vez mais, a questão passa por outro campo: o do significado.

Em um ambiente corporativo mais digital, remoto e automatizado, cresce a percepção de que muitos profissionais deixaram de se sentir realmente úteis, importantes e necessários no trabalho. Para Felipe Lemos, CXO da Alternativa F, esse movimento exige uma mudança de olhar por parte das organizações e das lideranças.

“O avanço da tecnologia trouxe ganhos importantes, mas também abriu uma discussão mais profunda sobre o lugar do ser humano no trabalho. Não basta pensar em performance. As empresas precisam se perguntar como fazer com que as pessoas continuem se sentindo relevantes em um cenário no qual a máquina já executa boa parte das tarefas”, afirma.

O que está em jogo vai além da produtividade

A reflexão ganhou força também em debates recentes sobre o futuro do trabalho. Durante o SXSW 2026, a jornalista e autora best-seller do New York Times Jennifer B. Wallace chamou atenção para o conceito de mattering — a necessidade humana de se sentir importante, valorizado e necessário.

Na prática, a ideia ajuda a iluminar um problema que tem impacto direto sobre engajamento, permanência e saúde emocional nas empresas. Segundo Felipe Lemos, muitos profissionais não se afastam do trabalho por desinteresse, mas por algo mais silencioso: a sensação de invisibilidade.

“Muitas vezes, a pessoa não está desmotivada porque não quer entregar. Ela está desconectada porque não enxerga impacto no que faz, não se sente vista e não percebe claramente o valor da própria contribuição”, explica.

Essa mudança de percepção altera o papel das empresas. Em vez de focar apenas em metas, entregas e resultados, cresce a necessidade de construir contextos em que as pessoas sintam que importam de fato — não apenas nos grandes momentos da carreira, como promoções e bônus, mas nas interações cotidianas.

Reconhecimento cotidiano passa a ser ativo estratégico

Na visão do executivo, o sentimento de valorização não depende apenas de grandes programas corporativos. Muitas vezes, ele nasce de práticas simples, consistentes e acessíveis dentro da rotina de trabalho.

Um reconhecimento público em reunião, um feedback claro sobre o impacto de uma entrega, uma escuta verdadeira em um momento difícil ou a inclusão de um profissional em decisões importantes podem ter efeito mais profundo do que ações pontuais de alto investimento.

“Quando a liderança mostra, com clareza, como o trabalho daquela pessoa contribuiu para um resultado maior, ela está comunicando algo muito poderoso: você faz diferença aqui. Isso fortalece pertencimento, vínculo e engajamento”, afirma Felipe.

Ele também destaca que pequenas atitudes de atenção no dia a dia fazem diferença. Perceber quando alguém não está bem, lembrar detalhes importantes, pedir opinião e criar espaços reais de participação são sinais concretos de reconhecimento.

Desenvolvimento comunica valor

Outro fator decisivo para sustentar esse sentimento é o investimento no crescimento profissional. Para Felipe Lemos, quando a empresa oferece treinamentos, mentorias, oportunidades de exposição e espaço para apresentação de projetos, ela não está apenas qualificando sua equipe. Está também enviando uma mensagem clara sobre valor e confiança.

“Desenvolver alguém é uma forma muito concreta de dizer que essa pessoa importa. Quando a organização aposta no potencial de um profissional, ela fortalece não só a competência, mas também a percepção de pertencimento”, diz.

Essa lógica ganha ainda mais relevância em um mercado marcado por transformações aceleradas, em que aprender continuamente passou a ser condição de permanência e evolução.

Eventos corporativos podem fortalecer conexão e pertencimento

Na avaliação do executivo, os eventos corporativos também podem cumprir um papel mais estratégico nesse processo. Em vez de serem tratados apenas como momentos institucionais, eles podem funcionar como espaços de reconhecimento, conexão e valorização das trajetórias individuais.

Um encontro interno, uma convenção, uma celebração ou uma experiência imersiva pode abrir espaço para que histórias sejam compartilhadas, lideranças se aproximem de equipes e profissionais se sintam vistos para além do cargo que ocupam.

“Um evento bem desenhado tem potencial de valorizar trajetórias, aproximar pessoas e gerar experiências que reforçam o senso de pertencimento. Em um trabalho cada vez mais digital, isso ganha ainda mais peso”, afirma.

Reconhecer bem ajuda a reter

A discussão também se conecta diretamente à estratégia de retenção. Segundo Felipe, profissionais que recebem feedback claro e relevante tendem a ser mais engajados e menos propensos a deixar seus empregos.

Nesse sentido, reconhecer deixa de ser apenas um gesto de cultura organizacional e passa a ocupar lugar mais estratégico dentro da gestão de pessoas.

Na prática, o chamado mattering se sustenta em quatro pilares: sentir-se visto, apreciado, desenvolvido e necessário. Para o executivo, essas quatro dimensões dependem diretamente da forma como as empresas constroem suas relações internas e desenham a experiência cotidiana de trabalho.

O futuro do trabalho será ainda mais humano

Felipe Lemos também chama atenção para outro aspecto importante: o impacto do reconhecimento não fica restrito ao ambiente corporativo. Quando alguém se sente desvalorizado, esse sentimento atravessa outras esferas da vida. Da mesma forma, quando existe reconhecimento genuíno, o efeito positivo se amplia para além do trabalho.

No fim, o avanço tecnológico cria um paradoxo que as empresas precisarão enfrentar com maturidade: quanto mais digital e eficiente o trabalho se torna, mais essencial se torna o fator humano.

“Produtividade ganha força quando vem acompanhada de pertencimento. Eficiência se potencializa com conexão. E resultados se tornam mais sustentáveis quando fazem sentido para quem os constrói”, conclui.

Em um cenário em que automação, inteligência artificial e eficiência seguem redesenhando o mundo do trabalho, a valorização das pessoas deixa de ser apenas uma pauta de cultura. Ela passa a ser uma das condições mais concretas para sustentar engajamento, retenção e futuro organizacional.

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